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03/07/2010 08h44 - Atualizado em 03/07/2010 10h20
Se Diego Maradona preferiu não provocar o Brasil após a eliminação na Copa do Mundo, a torcida argentina não esqueceu a rivalidade. Na entrada do estádio Green Point, na Cidade do Cabo, onde os hermanos enfrentam a Alemanha pelas quartas de final, um grupo exibe uma faixa ironizando a derrota para a Holanda: "Que te pasha Brasil, tas nervioso?"
A frase virou moda na Argentina por causa do ex-presidente Néstor Kirchner. Um humorista passou a imitar o sotaque do político e usava este bordão "Que te pasha, tas nervioso?" sempre, pois foi uma declaração dita por Kirchner ao reclamar do jornal "Clarín". Até Diego Maradona usou a expressão recentemente para responder às críticas de Schweinsteiger antes do jogo.
- Eu queria que o Brasil vencesse, para ter a final com a gente. Mas vocês saíram logo... - provocou o autor da faixa.
Ao redor do Green Point, os hermanos são maioria e demonstram confiança para o confronto com a Alemanha. A faixa não é a única provocação aos brasileiros. O famoso grito "Brasileiro, brasileiro / Que amargado que te ve / Maradona es más grande / Es más grande que Pelé" também faz sucesso entre as músicas cantadas na entrada do estádio.
Sempre polêmico ao tratar a rivalidade entre Brasil e Argentina, o jornal Olé ironizou mais uma vez a Seleção neste sábado. Em sua capa, o diário esportivo de Buenos Aires quase ignorou o confronto com a Alemanha, estampando uma foto gigante de Kaká com as mãos no rosto e os dizeres: "compre um LCD".
Embora os argentinos definam o seu futuro na Copa do Mundo às 11h (de Brasília) deste sábado, o destaque do Olé foi mesmo para os brasileiros, derrotados por 2 a 1 pela Holanda nas quartas de final do Mundial na sexta-feira.
Além de "mandar" Kaká comprar um televisor LDC (sigla em inglês para display de cristal líquido) para seguir acompanhando as partidas na África do Sul, o diário ainda lembrou que o técnico Dunga deixará seu cargo atual na manchete de apoio: "Brasil vai para casa! Holanda deu a volta na partida e o mandou ver a definição do Mundial pela TV. Renunciou Dunga".
Preferindo ironizar o Brasil, o veículo deu pouco espaço até ao esperado jogo com a Alemanha, que pode colocar a Argentina na semifinal do Mundial pela primeira vez desde 1990.

A torcida argentina comemorou bastante a eliminação do Brasil na sexta-feira, mas a festa dos hermanos não durou mais que um dia. Desta vez, a Alemanha não precisou de pênaltis e nem de sofrimento, como em 2006: sem dar chances ao time de Diego Maradona, os alemães aplicaram um chocolate inapelável por 4 a 0 na Cidade do Cabo e estão classificados para a semifinal da Copa do Mundo. Como disse o diário “Olé” para os brasileiros, os argentinos agora também podem comprar uma televisão para assistir ao restante do Mundial no conforto do sofá de casa.
Maradona desfilando sem roupa no Obeslico em Buenos Aires? Fica para a próxima.
Na última Copa, a Alemanha também eliminou a Argentina nas quartas de final, mas com sofrida decisão por pênaltis.
No Green Point, não deu nem tempo de roer as unhas: Müller abriu o placar antes do terceiro minuto de jogo e fez o gol mais rápido do torneio na África do Sul. Klose, que agora está a um gols do recorde de Ronaldo, marcou duas vezes, e Friedrich também deixou o seu.
A seleção de Joachim Löw agora espera o vencedor de Paraguai x Espanha, ainda neste sábado, para saber quem será seu rival na próxima quarta-feira, em Durban, pela semifinal. Um dia antes, Uruguai e Holanda decidem na Cidade do Cabo o primeiro finalista.
O jogo
A Alemanha parecia com pressa para abrir o placar. Parecia, não. Realmente estava. Com exatos 2m38s no relógio, Schweinsteiger cobrou falta, Otamendi ficou parado, Müller subiu e tocou de cabeça. A bola bateu na perna do goleiro Romero, que estava mal posicionado, e entrou: 1 a 0, gol mais rápido da Copa do Mundo.
Oficialmente, a Fifa arredonda para cima e considera a marca como 3 minutos. O inglês Gerrard fez aos 3m31s contra os Estados Unidos, mas na súmula aparece 4. Agora, Müller está ao lado de Higuaín (Argentina), David Villa (Espanha), Vittek (Eslováquia) e Sneijder (Holanda) no topo da artilharia do Mundial, com quatro gols.
O 1 a 0 no placar deixou a Alemanha ainda mais confiante e deu uma pane na Argentina. Principalmente pelo lado direito da defesa de Maradona. Perdido em campo, Otamendi levava um baile de Podolski. O lateral argentino ainda levou cartão amarelo aos 11, por falta em Friedrich no campo de ataque. Um exemplo de que nada dava certo para os hermanos aconteceu aos 16: Tevez tentou puxar contra-ataque, mas se enrolou, perdeu a bola e a chu teira, que ficou no gramado. Na beira do campo, o Pibe olhava de braços cruzados. O que fazer?

Em 45 minutos, a Alemanha deu dez chutes, mas apenas um na direção do gol: justamente o que resultou no 1 a 0 da primeira etapa. Os argentinos deram nove e tiveram 55% de posse de bola.
Quem voltou com pressa no segundo tempo foi a Argentina. Mas sem a mesma pontaria de Müller no início da partida. Aos três, Di Maria arriscou de longe a bola passou rente à trave alemã. O empate não saiu por pouco, alguns centímetros.
Com a vaga na mão pela vantagem no placar, a Alemanha se fechou ainda mais, apostando nos contra-ataques. E deixou a Argentina ser dona da bola, como Maradona pediu a semana inteira. Mais passe, mais chutes dos hermanos. Para fora, nas mãos de Neuer e até na cara do adversário: aos 17, Di Maria cruzou da direita, Maxi Rodriguez ajeitou com o peito e Tevez soltou a bomba, que explodiu no rosto de Mertesacker.
Os hermanos ainda tiveram duas chances, com Higuain e Tevez, que pararam nas mãos do goleiro. Se a principal arma argentina não dava certo – o toque de bola -, a maior falha voltou a aparecer: o lado direito da defesa. Na velocidade, a seleção de Lahm roubou a bola pela esquerda do ataque aos 23 e, sentado, Müller tocou para Podolski, que invadiu a área e rolou para Klose fazer seu 13º gol em Copas do Mundo, passando Pelé (12) e ficando a dois do recordista Ronaldo (15).
O tiro de misericórdia saiu aos 29. Mais uma vez pelo frágil lado direito da zaga argentina, que até nem contava mais com Otamendi, substituído logo após o gol por Pastore. Schweinsteiger fez o que quis pelo setor, driblou três argentinos na sequência, entrou na área e rolou para o zagueiro Friedrich pegar de primeira no bico da pequena área: 3 a 0.
Ainda havia tempo para mais um. A desgraça argentina se consolidou com mais um gol de Klose, aos 44, para carimbar de vez o passaporte dos hermanos de volta para casa. A Alemanha avança cheia de moral para as semis. Adeus, Argentina. Até 2014, se conseguirem a vaga para jogar no Brasil.
03/07/2010 13h32 - Atualizado em 03/07/2010 13h47
Por Adilson Barros e Thiago Dias
Direto da Cidade do Cabo, África d
o Sul
Após terminar a primeira fase como um dos melhores times da Copa do Mundo, a Argentina foi eliminada do Mundial com uma goleada sofrida diante da Alemanha, por 4 a 0, neste sábado. Ao final do jogo, os sul-americanos estavam desolados, mas conformados pelo mau futebol que apresentaram no estádio Green Point, na Cidade do Cabo.

O atacante Carlos Tevez, melhor em campo na partida contra o México, válida pelas oitavas de final, não foi nem sombra frente aos alemães. E ele mesmo sabia disso depois do apito final.
- Fizemos uma má partida e pagamos alto por enfrentar um rival de qualidade - disse Carlitos.
Este foi o primeiro grande teste dos argentinos. Na fase inicial, foram três vitórias – contra Nigéria, Coreia do Sul e Grécia. Nas oitavas, novo passeio sobre o México. Quando entrou em campo para enfrentar a Alemanha, era o melhor ataque da competição. Mas a equipe de Maradona sucumbiu ao enfrentar a eficiência do time de Joachim Löw.
Indagado explicitamente se esta resposta significava a sua despedida da seleção, o ex-jogador mudou o tom: “Vamos ver o que vai acontecer. Tenho que ver com minha família, com os jogadores, tenho várias coisas para resolver”.
Maradona comparou a derrota contra a Alemanha à eliminação da Argentina na Copa de 1982, depois de perder para o Brasil por 3 a 1. “Vivi isso como jogador. Mas eu era um garoto e não me dei conta do que significava. Agora, que vou fazer 50 anos, isso tem outro impacto”.
O técnico defendeu seus jogadores, em especial Messi, que não assinalou nenhum gol na Copa. “Ele chutou, mas a bola não entrou, os goleiros se destacaram. Mas Messi chorou no vestiário e quem disser que ele não honrou a seleção é um estúpido”.
Questionado por um jornalista argentino se estava satisfeito de chegar até as quartas de final, Maradona perdeu a paciência: “Você está querendo me provocar? Não f... comigo! Ninguém pode estar feliz com este resultado. O argentino vive o futebol como ninguém e ninguém pode estar satisfeito depois de perder de 4 a 0”.
Na visão do técnico, o resultado não refletiu o que foi o jogo. “Tivemos várias oportunidades e não marcamos. Eles foram eficientes e fizeram os gols. Estou muito desapontado.”
Ao fim do primeiro tempo, quando ainda estava 1 a 0 para a Alemanha, os jornais argentinos mostravam preocupação, mas estavam esperançosos. “Conseguiremos virar?”, se questionava o diário Olé, depositando esperanças no talento de Lionel Messi.
Mas aos 23 minutos do segundo tempo, Klose fez o segundo gol. Para nossos hermanos, começava o desespero. “A volta regressiva”, antevia o Olé, já pensando no avião de volta de Maradona e companhia.
Foi então que, após belíssima jogada de Schweinsteiger, Friedrich ampliou a conta cinco minutos depois. Se antes já não botava muita fé, a mídia argentina jogou definitivamente a toalha.
“Surra mundial”, estampava, ainda com a partida em andamento, o diário Olé, que no dia anterior se regozijara da derrocada da seleção brasileira diante da Holanda, com um jocoso “Brasil 2014” em seu título.
Com 3 a 0 no placar, o La Nación colocava em sua manchete: “Alemanha foi implacável ante os erros argentinos e liquidou a partida”, também enquanto a bola ainda rolava na Cidade do Cabo.
Mas aí Klose completou de primeira um cruzamento de Ozil e marcou seu segundo na partida e o quarto da Alemanha. Quatro tentos a zero, nem o mais otimista dos alemães esperava. Não à toa, o Bild estampou em letras garrafais em sua página principal: “Deuses alemães!”, enquanto o site da revista semanal Der Spiegel comemorava: "Alemanha desmonta os onze de Maradona".
“Suor e Lágrimas”, era a resposta emotiva do Olé, enquanto o La Nación, mais sóbrio, estampava: "Alemanha desnudou falências da Argentina e a deixou fora da Copa". Na mesma linha foi o Clarín, que descreveu: "Argentina deu adeus com um golpe duríssimo".



